A OMS estima que os transtornos de depressão e ansiedade causam um prejuízo de 1 trilhão de dólares por ano à economia mundial. Segundo o relatório de 2017 da mesma organização, 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, o que nos torna líderes na América Latina em casos da doença. Quando se fala em transtorno de ansiedade, 9,8% dos brasileiros são afetados. A média mundial é de 3,6%. 

Um dos fatores que pode levar a problemas mentais é a nossa relação com o trabalho. Essa relação está se transformando muito rapidamente com a tecnologia. Por exemplo, a possibilidade de trabalhar remotamente é muito boa, mas pode se tornar um problema. Quando se está sempre conectado, demandas podem aparecer a todo o momento, inclusive em horários de lazer e descanso. Segundo o livro “Rewired”, da PhD em psicologia Camille Preston, estar conectado o tempo todo pode trazer esgotamento cognitivo, debilidade física, comprometimento de relacionamentos interpessoais e perda de produtividade. Hoje, se espera que o trabalhador esteja online 24 horas por dia, 7 dias por semana, confundindo os momentos de trabalho e descanso e nos deixando cada vez mais estressados e ansiosos. O mundo está em uma crise de saúde mental no trabalho. 

A crise também aparece na nossa economia. Hoje, temos 12,6 milhões de desempregados no Brasil e, ao mesmo tempo, empresas estão fechando suas portas e demitindo em massa. Aceitar mais trabalho por menos dinheiro e com menos direitos se tornou uma necessidade para os brasileiros. Para completar, a legislação trabalhista vem sendo precarizada nos mais diversos aspectos, desde salários a tamanhos de alojamentos e refeitórios.

A situação é difícil e não se sabe qual a solução para o problema, mas ainda há meios de manter uma boa relação com o trabalho, preservando a saúde mental. Se conhecer, saber seus limites, se organizar, fazer pausas e manter uma boa comunicação com colegas são algumas das atitudes que podem ser tomadas para uma melhor saúde mental no ambiente de trabalho. Procurar terapia para melhorar sua relação com o trabalho também é recomendável.

 

Assédio

Uma má chefia é um dos principais fatores que podem tornar o ambiente de trabalho insuportável. Controle excessivo, roubo de ideias, colocar a culpa dos próprios erros nos funcionários, cobranças demais e arrogância são algumas das características que podem identificar um chefe tóxico, ou pior, assediador

Um dos tipos de assédio que podem acontecer no trabalho é o assédio moral. Nele, o funcionário é exposto a situações humilhantes, de forma repetitiva e continuada. Ele pode se manifestar em críticas em público, não delegar tarefas ou delegar tarefas demais, brincadeiras de mau gosto e isolamento, por exemplo. O assédio moral pode prejudicar gravemente a saúde mental do trabalhador e forçá-lo a deixar o emprego, assim como o assédio sexual

Assédio sexual é o ato de constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. Convites para ir a locais sem relação com o trabalho, comentários sobre características físicas, toques indesejados e envio de fotos pornográficas são exemplos desse tipo de assédio.

Uma pesquisa da Talense revelou que 34% das mulheres e 12% dos homens brasileiros já sofreram assédio sexual no trabalho. Situações de assédio podem gerar sensação de impotência e desamparo, principalmente quando o assediador é alguém da chefia.

Lidar com casos de assédio pode ser bem difícil. Segundo reportagem do Estadão, primeiro é recomendável falar com o assediador. Se não funcionar, com o líder direto da pessoa que está sendo assediada. Se isso também não surtir efeito, deve-se falar com o departamento de recursos humanos da organização. Se mesmo assim a empresa não tomar nenhuma atitude, é indicado procurar o sindicato da categoria e, se possível, um advogado. O último recurso é procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

Cinco de outubro, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, também é uma oportunidade de refletir sobre o futuro da economia. 

Em 2014, o Brasil entrou na maior crise econômica dos últimos 25 anos. O PIB caiu, as oportunidades de emprego diminuíram e o real desvalorizou. Ao mesmo tempo, o número de Microempresas Individuais (MEIs) seguiu crescendo. Segundo o Portal do Empreendedor do Governo Federal, o número de MEIs cresceu 120% entre 2013 e 2018. Já temos mais de 8,1 milhões de Microempresas Individuais no Brasil, de acordo com o levantamento do Portal do Empreendedor de março de 2019. 

Segundo um relatório do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, a razão para esse aumento no número de MEIs é o processo de formalização de negócios. Mudanças na Lei Geral, como financiamentos com juros diferenciados, permissão de utilizar uma residência como sede de estabelecimento e a possibilidade de empreendedores rurais optarem pela MEI facilitaram a criação de micro e pequenas empresas. Além disso, segundo uma pesquisa do Sebrae, baseada na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, pessoas com nível superior completo apresentam um nível 20 vezes maior de formalização de negócios em comparação aos que não têm. Não é por acaso que o número de pessoas ativas com ensino superior cresceu de 15% para 20,1% por cento entre 2012 e 2018, mesmo período de crescimento do número de pequenas e médias empresas.  

Por outro lado, o aumento do desemprego também é levantado como uma das causas para o crescimento do número de microempreendedores no Brasil. Segundo dados do IBGE, hoje existem mais de 13 milhões de pessoas desempregadas. Entre os microempreendedores individuais estão entregadores de comida, manicures, doceiros e eletricistas. Além disso, diversas empresas contratam funcionários cadastrados como microempreendedores para tratá-los como pessoa jurídica e burlar leis trabalhistas. Muitas dessas pessoas não têm opção ao enfrentar o desemprego e se tornam empreendedoras por necessidade. 

 

Os Pequenos Empreendedores e a Economia

 

As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) são fundamentais para a economia brasileira. Segundo dados do Sebrae, 99% dos 6,4 milhões de estabelecimentos que existem no país são MPEs. Elas são responsáveis por 52% dos empregos no setor privado. Em janeiro deste ano, enquanto médias e grandes empresas demitiram mais de 25 mil funcionários, as MPEs geraram cerca de 61 mil novos empregos. O setor de serviços foi o maior responsável pela criação de vagas.

Serviços simples e empreendimentos que repetem modelos tradicionais são importantes em meio à crise de desemprego e desempenham um grande papel na economia atual. No entanto, para que o país volte a crescer, precisamos de algo a mais.

A inovação é um fator essencial para o desenvolvimento dos pequenos negócios, já que a competição por preços com modelos de grandes indústrias é difícil. Porém, nem todas as empresas têm capacidade de inovar. Segundo o doutor em administração e professor da Universidade Feevale, Dusan Schreiber, é comum que empresas, em especial MPEs, não tenham um sistema de gestão ideal e nem conheçam sua estrutura de custos. 

De acordo com dados da consultoria McKinsey, em parceria com o evento Brazil at Silicon Valley, o Brasil já pode ser definido como um país de empreendedores, mas ainda precisamos de algumas mudanças para prosperar. De acordo com a pesquisa, há mais de 8 mil Startups explorando novas tecnologias e modelos de negócio no país, mas os investimentos do Brasil em inovação ainda são baixos e a burocracia dificulta a criação e desenvolvimentos de empresas. A mudança que o Brasil precisa é estrutural. Mais pessoas qualificadas e com educação empreendedora podem melhorar nossa gestão de negócios, inovar e fazer o país crescer.

“Como as novas plataformas de serviço estão remodelando o comportamento do consumidor e a comunicação das marcas.”

Na última década, investimos muito esforço e ciência, quando falamos de negócios inovadores, em buscar soluções que quebrassem sistemas intermediários ou monopólios econômicos.

Isso se refletiu em diversas empresas de tecnologia que substituíram atravessadores ou criaram para si um nicho de gerenciamento tecnológico. Um bom exemplo é o Airbnb, que se propõe a substituir hotelaria e agentes de viagens no modelo de hospedagem, conectando diretamente o proprietário do imóvel com o demandante, mas também interfere em certa medida no nicho imobiliário/corretagem. Há quem observe que não existia exatamente um modelo como o do Airbnb, que integra de uma forma específica o serviço melhor adaptado a uma demanda, e que seria esta a grande inovação por trás do modelo.

Neste grupo entram os diversos aplicativos gerenciadores de demanda, os SaaS (como Uber, iFood, Rappi, etc.) que expandiram as qualificações do usuário como quem definitivamente cria um vínculo com seu fornecedor de serviço, ao ponto de termos um ramo específico para estudo desse relacionamento de pós venda, o Customer Success.

Este novo status quo do mercado de serviços, indica que a relação comercial evoluiu para um pouco além da dinâmica de definição de público-alvo, identidade de marca e base de fãs. Cada vez mais cresce a interdependência dos agentes na relação de consumo, já que diversas tecnologias nublam o sentido de fidelidade de marca na hora da decisão de compra.

Por que o cliente vai optar pela sua marca se no aplicativo aparece apenas o item com o melhor preço neste momento? Por que o cliente vai escolher a sua embalagem colorida, se pela Alexa, ele pede “biscoito” (ou bolacha, para não ser polêmico) e o algoritmo já define qual marca entra em seu carrinho? Será que as telas e identidades visuais estão em decadência?

Muitas perguntas para um futuro incerto.

A única certeza para as marcas é que elas estão em uma grande encruzilhada de imagem e comunicação, para adaptar seus produtos para estas novas lógicas de serviço. No entanto, alguns caminhos se desenham para definir estratégias de comunicação.

Existem dinâmicas inter relacionais entre estes consumidores para além da jornada do cliente de forma tão excelentemente desenhada pela sua equipe de UX usando maravilhosas ferramentas de Design. Estas pessoas estão, em diversos graus, conectadas uma as outras, trocando experiência e percepções, e registrando isso em maior ou menor frequência nas redes em que se comunicam. Cada serviço hoje possui, para além de sua capacidade e capilaridade de atuação, uma comunidade demandante. Esta comunidade troca informações diretas e indiretas sobre necessidades e possibilidades. 

E é aí que temos um ótimo ponto de partida.

Seria como dizer que, ao criar um vetor de serviço muito mais específico, o Airbnb criou também um grupo de pessoas que ao se reconhecer demandante daquela especificidade, tornou-se crítica e passou a reconhecer-se demandante e se aproximar de outras pessoas que também se reconhecem dessa forma. A velocidade e amplitude da conexão tornou muito mais simples e ágil encontrar grupos de pessoas com as mesmas afinidades. Some-se a isso o grau de especificação de demanda promovida por esses novos SaaS e “voilá”, você tem uma “comunidade de usuários”.  Este conceito é muito reconhecido dentro da tecnologia para definir a opção por ferramentas de desenvolvimento, mas o avanço da segmentação de serviços de interdependência, permite que extrapolamos para o público em geral.

É dentro destas comunidades que eles trocam informações, debatem e decidem sobre marcas, criam referências, empoderam curadores de conteúdos e novidades entre outros. 

A Netflix tem um excelente trabalho de comunicação, porém não controla os inúmeros canais de You Tube ou perfis de twitter que comentam, analisam e recomendam sua programação. No entanto essas unidades impactam diretamente na demanda, permanência e no sucesso dos consumidores da plataforma.

Entender e agir sobre comunidades é um passo estratégico para qualquer marca entender como navegar em um ambiente fluido de hiperconexão e por isso vamos abordar e aprofundar isso em diversos textos e conteúdos a partir de agora.

Se você se interessou pela ideia, fique aqui com a gente nos próximos conteúdos para ganhar diversos insights sobre o tema.