Cinco de outubro, o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, também é uma oportunidade de refletir sobre o futuro da economia. 

Em 2014, o Brasil entrou na maior crise econômica dos últimos 25 anos. O PIB caiu, as oportunidades de emprego diminuíram e o real desvalorizou. Ao mesmo tempo, o número de Microempresas Individuais (MEIs) seguiu crescendo. Segundo o Portal do Empreendedor do Governo Federal, o número de MEIs cresceu 120% entre 2013 e 2018. Já temos mais de 8,1 milhões de Microempresas Individuais no Brasil, de acordo com o levantamento do Portal do Empreendedor de março de 2019. 

Segundo um relatório do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, a razão para esse aumento no número de MEIs é o processo de formalização de negócios. Mudanças na Lei Geral, como financiamentos com juros diferenciados, permissão de utilizar uma residência como sede de estabelecimento e a possibilidade de empreendedores rurais optarem pela MEI facilitaram a criação de micro e pequenas empresas. Além disso, segundo uma pesquisa do Sebrae, baseada na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, pessoas com nível superior completo apresentam um nível 20 vezes maior de formalização de negócios em comparação aos que não têm. Não é por acaso que o número de pessoas ativas com ensino superior cresceu de 15% para 20,1% por cento entre 2012 e 2018, mesmo período de crescimento do número de pequenas e médias empresas.  

Por outro lado, o aumento do desemprego também é levantado como uma das causas para o crescimento do número de microempreendedores no Brasil. Segundo dados do IBGE, hoje existem mais de 13 milhões de pessoas desempregadas. Entre os microempreendedores individuais estão entregadores de comida, manicures, doceiros e eletricistas. Além disso, diversas empresas contratam funcionários cadastrados como microempreendedores para tratá-los como pessoa jurídica e burlar leis trabalhistas. Muitas dessas pessoas não têm opção ao enfrentar o desemprego e se tornam empreendedoras por necessidade. 

 

Os Pequenos Empreendedores e a Economia

 

As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) são fundamentais para a economia brasileira. Segundo dados do Sebrae, 99% dos 6,4 milhões de estabelecimentos que existem no país são MPEs. Elas são responsáveis por 52% dos empregos no setor privado. Em janeiro deste ano, enquanto médias e grandes empresas demitiram mais de 25 mil funcionários, as MPEs geraram cerca de 61 mil novos empregos. O setor de serviços foi o maior responsável pela criação de vagas.

Serviços simples e empreendimentos que repetem modelos tradicionais são importantes em meio à crise de desemprego e desempenham um grande papel na economia atual. No entanto, para que o país volte a crescer, precisamos de algo a mais.

A inovação é um fator essencial para o desenvolvimento dos pequenos negócios, já que a competição por preços com modelos de grandes indústrias é difícil. Porém, nem todas as empresas têm capacidade de inovar. Segundo o doutor em administração e professor da Universidade Feevale, Dusan Schreiber, é comum que empresas, em especial MPEs, não tenham um sistema de gestão ideal e nem conheçam sua estrutura de custos. 

De acordo com dados da consultoria McKinsey, em parceria com o evento Brazil at Silicon Valley, o Brasil já pode ser definido como um país de empreendedores, mas ainda precisamos de algumas mudanças para prosperar. De acordo com a pesquisa, há mais de 8 mil Startups explorando novas tecnologias e modelos de negócio no país, mas os investimentos do Brasil em inovação ainda são baixos e a burocracia dificulta a criação e desenvolvimentos de empresas. A mudança que o Brasil precisa é estrutural. Mais pessoas qualificadas e com educação empreendedora podem melhorar nossa gestão de negócios, inovar e fazer o país crescer.

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