Interessante perceber como o crescimento do interesse das corporações por inovação –  talvez pressionados pelas novas dinâmicas de mercado das Startups – trouxe uma série de novas relações aos processos de trabalho. Ainda buscamos a melhor equação na relação de tempo, investimento e retorno para processos de inovação, ao passo que o elemento fundamental desta conjuntura, que na minha opinião é o material humano, ainda é subavaliado dentre as múltiplas variáveis incluídas.

Para além da responsabilidade com o resultado das disrupções (que abordei na Crítica da Inteligência Tecnológica), queria propor um olhar sobre o fino balanço entre a liberdade e a responsabilidade envolvidas em qualquer processo de inovação, tendo como foco as pessoas envolvidas.

Não há questionamento que a colaboração e cocriação envolvendo os mais diversos atores e repertórios, são a sopa primordial para geração de inovação para qualquer processo.

Você pode ler isso em qualquer livro sobre o assunto, e a questão acaba focada em qual método ou processo é o melhor para ser utilizado. No entanto, o componente de expectativa dos envolvidos e, principalmente, sua relação de valor com o resultado do que é proposto, também fazem parte dessa equação.

Nas empresas em que pude participar, o histórico comum é a seleção de indivíduos mais alinhados com os princípios e valores da empresa (segundo os gestores ou setores de RH). Nesse contexto, pouco é construído no campo da formação da expectativa gerada e de que forma o resultado de suas ações será integrado ao “modus operandi” da empresa.

Afinal de contas, a  verdadeira inovação só será possível se houver empoderamento e um canal por onde o MVP possa chegar a operação.

Este processo de alinhamento de expectativas envolve tanto os níveis mais altos de gestão estratégica – que precisam se despir de sua hierarquia e empoderar o grupo envolvido no processo – quanto os próprios envolvidos, os quais precisam ter claro o seu papel junto ao grupo e para com suas responsabilidades.

Isso significa que é preciso um conjunto de compromissos entre a organização e o grupo destacado para o processo de inovação que suplante metas e possíveis resultados, e estabelecer a liberdade para errar e descobrir, no mesmo passo que delimita as responsabilidades de todos os níveis envolvidos.

É comum que em alguns casos se projete metas específicas para os trabalhos de inovação, o que se revela, ao longo do tempo, como um ótimo caminho para destruir qualquer possibilidade de que algo realmente novo e de impacto seja criado.

Não à toa, muitas corporações preferem comprar Startups (por já terem concluído o ciclo da inovação) a construir inovação internamente e pagar o preço do processo. Invariavelmente, esse custo acaba sendo pago pelo valor de mercado da inovação “comprada” e também no custo de setup, para adaptar o produto/serviço ao contexto da corporação, por não ter nascido já com o mesmo “DNA”.

Entender as expectativas de todos os atores –  diretoria, colaboradores e o grupo de inovação – é um passo que entendo importantíssimo e talvez devesse vir antes da primeira análise de comportamento do usuário, pensando no desenvolvimento de inovação a partir do design centrado no usuário. Isso pode não só construir uma estrutura mais sólida para o grupo de pessoas envolvidas, como também proporcionar um alinhamento de expectativas e norteadores desde o início do processo.

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